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Artesãos de zonas isoladas de Ataúro apresentaram produtos em Díli

SAPO TL, 26 de junho de 2018

  • Foto@ António Cotrim/EPA

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Artesãos de algumas das zonas mais isoladas da ilha de Ataúro, a norte da capital timorense de Díli, estrearam-se este fim de semana a vender o seu produto diretamente ao público durante uma feira de artesanato.

"Há alguns artesãos que conseguiram vender tudo", disse à Lusa Maria Amado, diretora da Empresa Di'ak, a organização não-governamental timorense que promoveu em Díli a 2ª Feira de Artesanato de Ataúro.

O objetivo da feira, que teve um largo número de visitantes, passou por desenvolver e promover o setor das indústrias criativas em Timor-Leste, especialmente na isolada ilha de Ataúro, a cerca de 30 quilómetros a norte de Díli.

Maria Amado explicou que o certame foi, para muitos, a primeira oportunidade de interagir diretamente com o público e de ver o seu trabalhado criativo a ser valorizado.

"Uma das coisas com que trabalhamos com estes grupos de Atauro é tentar dar-lhes acesso ao mercado. As pessoas têm capacidades, um talento enorme, criatividade tremenda, mas não têm onde mostrar aquilo que fazem", explicou.

Residentes em zonas muito remotas de Ataúro - onde só se chega depois de várias horas a pé - os artesãos acabam por ter limitado o seu acesso ao mercado através de duas lojas que a própria Empresa Di'ak tem, uma das quais na capital timorense.

Mensalmente, equipas da ONG visitam as comunidades, recolhem produtos e aproveitam para dar formação e competências adicionais.

"Com isto queremos mostrar Ataúro em Díli, a quem não vai à ilha, e dar oportunidade aos artesãos de mostrar e vender o produto e de ver as pessoas a comprar e valorizar os produtos que fazem", sublinhou Maria Amado.

Cerca de 95% dos grupos de artesãos da ilha - duas dezenas - estiveram representados na feira onde estiveram à venda produtos de cestaria, barro, madeira, sabonetes e cremes tradicionais e até picante e peixe seco.

A par dos artesãos participaram ainda três outras organizações que trabalham na ilha, a Associação de Home Stays - que integra aqueles que em Beloi alugam quartos a turistas -, a Da Terra, que trabalha na área agrícola, e a Maluk Timor, que se dedica ao tema da nutrição com mulheres grávidas e crianças.

A Empreza Di'ak ('Bom negócio', em tétum) é uma organização timorense, já várias vezes premiada, e que promove a erradicação da pobreza em Timor-Leste, procurando "capacitar economicamente mulheres e homens timorenses que vivem abaixo do limiar da pobreza, através da promoção de novos meios de sustento, oferecendo formação inovadora e apoiando a criação de micro-negócios para a construção de um futuro mais promissor".

Desde o seu nascimento, em 2011, a empresa trabalha no empoderamento económico de mais de cinco mil pessoas em várias regiões do país, através da "investigação, teste e implementação de oportunidades sustentáveis" tendo como objetivo "quebrar o ciclo da pobreza, contribuindo para o desenvolvimento democrático, inclusivo e pacífico de Timor-Leste".

Fonte: Agência Lusa

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